A Arquidiocese de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, instaurou uma comissão especial para investigar um suposto fenômeno sobrenatural envolvendo uma imagem de Nossa Senhora de Fátima que, segundo relatos de fiéis, estaria expelindo mel. A imagem, que pertence a uma moradora da cidade de Mirassol, tem atraído a atenção de devotos, estudiosos e da própria Igreja, que decidiu agir oficialmente diante da crescente repercussão.
Segundo a proprietária da imagem, trazida de Portugal em 1991, os primeiros sinais do fenômeno surgiram por volta de 1993, quando a santa teria vertido lágrimas. Com o passar dos anos, os relatos indicam que outras substâncias começaram a aparecer na superfície da imagem, como azeite, vinho e sal. No entanto, foi a presença frequente de um líquido viscoso e adocicado, identificado como mel, que chamou mais atenção, a ponto de muitos fieis passarem a se referir à estátua como “Nossa Senhora do Mel”.
A comissão canônica foi oficialmente constituída por meio de um decreto assinado por Dom Antonio Emídio Vilar, arcebispo da arquidiocese. O grupo é composto por cinco membros, entre eles um teólogo, um canonista, um perito, um notário e um delegado. Todos fizeram juramento de fidelidade à Igreja e compromisso com o sigilo canônico, conforme orientações recentes do Vaticano publicadas em 2024, que regulamentam a apuração de alegações de fenômenos místicos e sobrenaturais.
A investigação deve envolver a análise rigorosa de documentos, testemunhos e também das substâncias supostamente exaladas pela imagem. A comissão pretende coletar amostras do mel para exames laboratoriais, além de avaliar aspectos teológicos e pastorais da devoção. Um dos pontos de interesse é o fato de os fenômenos ocorrerem apenas na presença de fiéis — segundo relatos, nunca foram registrados em ambientes isolados ou na ausência de testemunhas.
Apesar da investigação, a Igreja não suspendeu os eventos religiosos envolvendo a imagem e tampouco desautorizou a peregrinação que vem sendo realizada em diferentes paróquias do interior paulista. A estátua é acolhida por fiéis em diversas cidades, onde são realizadas missas e momentos de oração. Em agosto de 2024, inclusive, a cantora Elba Ramalho participou de uma dessas celebrações em Mirassol, reforçando a visibilidade do caso.
A Arquidiocese pede que os fiéis acompanhem o processo com oração, confiança e serenidade, evitando conclusões apressadas. O relatório final da comissão será encaminhado ao Dicastério para a Doutrina da Fé, no Vaticano, que terá a palavra final sobre a autenticidade ou não do fenômeno. Até lá, o mistério da imagem que supostamente expele mel segue despertando fé, curiosidade e cautela.