O Brasil registrou em setembro um novo recorde no número de famílias inadimplentes. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de lares que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas atingiu o maior nível desde 2010, ano em que a série histórica foi iniciada.
A pesquisa mostra que mais de 30% das famílias brasileiras inadimplentes declararam não ter como quitar suas dívidas, um sinal preocupante de agravamento da crise financeira enfrentada por grande parte da população. O cenário revela o impacto acumulado da inflação, dos juros elevados e do alto custo de vida, que comprometem a renda e dificultam o equilíbrio das contas domésticas.
Ainda segundo a CNC, o endividamento segue em patamares elevados, com muitos brasileiros recorrendo ao crédito para cobrir despesas básicas ou emergenciais. Cartões de crédito, carnês e empréstimos pessoais continuam sendo as principais formas de endividamento.
Para o economista-chefe da CNC, José Roberto Tadros, os dados refletem uma situação crítica: “A persistência da inadimplência elevada, especialmente entre as famílias de menor renda, mostra que o orçamento doméstico segue muito pressionado. Mesmo com a estabilidade do mercado de trabalho, a renda real ainda não foi suficiente para reverter esse quadro.”
Famílias de baixa renda são as mais afetadas
A pesquisa indica que a inadimplência é mais acentuada entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, que são as mais vulneráveis à alta dos preços e às condições restritivas de crédito. Já entre as famílias com maior poder aquisitivo, o nível de inadimplência também cresceu, mas em ritmo mais moderado