As negociações para aprovar ainda nesta semana o fim da escala de trabalho 6×1 devem envolver um esforço do governo federal para diminuir o período de transição previsto na proposta. Atualmente, esse prazo é apontado como o principal obstáculo para o avanço do texto no Congresso.
O Palácio do Planalto já sinalizou apoio à redução progressiva da jornada de trabalho, mas quer que a adaptação dos setores afetados aconteça em um prazo menor. A intenção é fazer com que os efeitos da mudança sejam percebidos mais rapidamente pela população.
As propostas em discussão no Congresso preveem uma transição entre três e cinco anos. Um dos modelos com maior aceitação estabelece que a jornada de 44 horas semanais seja reduzida imediatamente em uma hora. Depois disso, haveria uma nova redução de uma hora a cada 12 meses, até chegar ao limite de 40 horas por semana.
Nos bastidores, porém, o governo deve defender uma transição mais curta. Uma das possibilidades discutidas é que o prazo total de adaptação fique entre seis meses e um ano.
Outra ideia que circula nas negociações é permitir que os senadores tenham a palavra final sobre o tema, encurtando o período de transição durante a análise da proposta no Senado.
O plano que será apresentado ao presidente Lula por Hugo Motta prevê a votação da proposta de emenda à Constituição na comissão especial e também no plenário da Câmara já na quinta-feira, dia 28.
A estratégia também considera espaço para que o Senado faça alterações no texto. A ideia é permitir que a Casa Alta participe das negociações e também tenha protagonismo na aprovação da proposta.
O fim da escala 6×1 se tornou, neste momento, uma das principais bandeiras eleitorais do governo Lula. Apesar de ter demonstrado resistência à mudança no início das discussões, o governo passou a apoiar a proposta como uma tentativa de responder às demandas dos trabalhadores e também de reverter a crise de popularidade enfrentada pelo presidente.