Brasília – Os Correios registraram um prejuízo de R$ 1,72 bilhão no primeiro trimestre de 2025, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (2). Esse é o pior resultado da estatal para o período desde 2017, ano em que a empresa acumulou prejuízos de R$ 1,9 bilhão. O desempenho negativo acende um alerta sobre a saúde financeira da companhia, que enfrenta queda de receitas, aumento de custos e perda de mercado para empresas privadas de logística.
Queda de receitas e aumento de despesas
Segundo o relatório financeiro, a receita líquida dos Correios caiu 8,3% em comparação ao mesmo período de 2024, totalizando cerca de R$ 4,4 bilhões. A empresa atribui a retração principalmente à redução no volume de encomendas e correspondências, além da perda de grandes contratos com órgãos públicos e empresas privadas.
Por outro lado, as despesas operacionais cresceram 11%, impulsionadas por custos com pessoal, manutenção da infraestrutura e investimentos em tecnologia. A folha de pagamento da estatal continua sendo um dos principais gargalos: só no primeiro trimestre, os gastos com salários e benefícios ultrapassaram R$ 2 bilhões.
Concorrência e perda de mercado
O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, reconheceu que a estatal tem enfrentado dificuldades para competir com empresas privadas de logística, como Mercado Livre, Amazon, Shopee e transportadoras de médio porte. “Estamos em um processo de modernização, mas é preciso acelerar. O mercado é dinâmico e a concorrência é feroz”, afirmou.
Atualmente, os Correios detêm menos de 30% do mercado de entregas de encomendas no país, uma queda acentuada em relação aos mais de 50% que detinham há cinco anos.
Privatização volta ao debate
Com o novo prejuízo bilionário, voltou à tona o debate sobre a privatização dos Correios, tema que já havia sido discutido nos governos anteriores. Embora o governo federal ainda não tenha um posicionamento oficial sobre o assunto, fontes do Ministério das Comunicações indicam que a equipe econômica está reavaliando o futuro da estatal.
“A situação dos Correios é crítica. Precisamos encontrar alternativas para garantir a sustentabilidade da empresa, seja com parcerias, concessões ou até mesmo a privatização parcial”, disse um técnico da pasta sob condição de anonimato.
Investimentos e futuro incerto
Apesar do cenário negativo, os Correios anunciaram que pretendem investir cerca de R$ 500 milhões até o final de 2025 em modernização de centros de distribuição, digitalização de serviços e renovação da frota. A expectativa é de que esses investimentos comecem a gerar resultados a partir do segundo semestre.
Ainda assim, especialistas do setor logístico alertam que, sem uma reestruturação profunda e uma gestão mais ágil, a estatal corre o risco de continuar acumulando prejuízos nos próximos trimestres.