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Consumo abusivo de álcool entre mulheres brasileiras mais que dobra em 17 anos, revela Ministério da Saúde

Jornal Panorama
1 de agosto de 2025

O consumo abusivo de álcool entre mulheres brasileiras mais que dobrou entre 2006 e 2023. Segundo dados do Vigitel, sistema de monitoramento do Ministério da Saúde, o percentual de mulheres que relataram esse tipo de consumo — caracterizado por quatro ou mais doses em uma mesma ocasião — passou de 7,8% em 2006 para 15,2% em 2023. No mesmo período, entre os homens, o aumento foi bem mais modesto: de 25% para 27,3%.

Especialistas atribuem esse crescimento a diversos fatores, entre eles o aumento da participação feminina no mercado de trabalho, maior exposição a estresse e pressões sociais, mudanças culturais que normalizaram o consumo de álcool entre mulheres e o direcionamento de campanhas publicitárias ao público feminino. Além disso, questões de saúde mental, como ansiedade, depressão e traumas, também têm sido associadas ao uso abusivo de bebidas alcoólicas.

Do ponto de vista biológico, as mulheres são mais vulneráveis aos efeitos do álcool. Segundo a psiquiatra Alessandra Diehl, o organismo feminino metaboliza o álcool de forma menos eficiente que o masculino, o que eleva sua toxicidade e acelera o aparecimento de doenças como hepatite, cirrose e envelhecimento precoce. Outro fenômeno observado é o chamado “telescoping”, em que mulheres tendem a desenvolver dependência ao álcool mais rapidamente do que os homens.

O aumento do consumo abusivo entre mulheres tem gerado impactos diretos na saúde pública. Entre 2010 e 2021, o número de mortes de mulheres associadas ao consumo excessivo de álcool cresceu cerca de 7,5%, enquanto entre os homens houve uma redução no mesmo período. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou que não existe um nível seguro para o consumo de álcool, que está relacionado a mais de 200 doenças, incluindo câncer, distúrbios hepáticos e cardiovasculares.

Apesar do cenário preocupante, o acesso ao tratamento ainda enfrenta desafios. Muitas mulheres resistem a procurar ajuda por medo do estigma social, da exposição e da falta de acolhimento adequado. O tratamento eficaz requer abordagens que levem em conta questões de gênero, como violência doméstica, responsabilidades familiares e desigualdades estruturais

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