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“Cegonhas da noite”: grupo de mulheres teria intermediado adoções clandestinas por quase 30 anos na Bahia

Jornal Panorama 2
8 de junho de 2026

Por quase três décadas, um grupo de quatro mulheres ficou conhecido em Feira de Santana, na Bahia, por intermediar a entrega de recém-nascidos a famílias interessadas em adotar crianças.

Chamadas de “cegonhas da noite”, elas atuaram de forma clandestina entre as décadas de 1980 e 2000. Os bebês eram deixados, muitas vezes em caixas e acompanhados de cartas, nas portas das casas escolhidas pelas integrantes da rede.

Apesar da ilegalidade, o grupo ficou conhecido na cidade e chegou a ser visto com simpatia por parte da população. Relatos indicam que mais de dois mil bebês podem ter sido entregues por meio do esquema, mas não há números oficiais sobre a atuação da rede.

A dinâmica funcionava principalmente por contatos informais. Pessoas interessadas em adotar não procuravam diretamente as mulheres. O pedido costumava ser feito por terceiros, como parentes, amigos ou conhecidos.

As integrantes da rede mantinham uma espécie de cadastro informal de famílias interessadas. Quando surgia uma criança, elas avaliavam para quem o recém-nascido seria encaminhado. Embora o nome sugira entregas durante a noite, há relatos de bebês deixados também durante o dia.

Parte das crianças teria sido entregue voluntariamente por mães em situação de vulnerabilidade social, que afirmavam não ter condições de criar os filhos. No entanto, alguns adotados suspeitam que possam ter sido separados das famílias biológicas sem consentimento.

A prática chegou ao fim após intervenção da Justiça, que passou a coibir o esquema paralelo de adoção. À época, a adoção legal já exigia acompanhamento judicial, o que tornava irregular qualquer entrega de crianças sem a intermediação do Estado.

Hoje, pessoas adotadas por meio das chamadas “cegonhas da noite” se mobilizam nas redes sociais em busca de informações sobre a própria origem. Para muitos, a história mistura gratidão às famílias que os criaram com a dor de não saber exatamente de onde vieram.

O caso levanta discussões sobre vulnerabilidade social, adoção irregular, direito à identidade e a importância de processos legais que protejam crianças, mães biológicas e famílias adotivas

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