Um estudo recente revelou que adultos que enfrentam pesadelos semanais têm quase três vezes mais chances de morrer antes dos 75 anos do que aqueles que raramente têm esse tipo de sonho. A pesquisa foi conduzida por cientistas do UK Dementia Research Institute e do Imperial College London, que acompanharam por 18 anos mais de 4 mil pessoas nos Estados Unidos, com idades entre 26 e 74 anos. Durante esse período, 227 participantes faleceram prematuramente.
Mesmo depois de considerar fatores como idade, gênero, saúde mental, tabagismo e peso, os pesquisadores identificaram que quem tinha pesadelos toda semana enfrentava um risco de morte semelhante ao de fumantes pesados. Além disso, eles analisaram “relógios epigenéticos”, indicadores biológicos do envelhecimento do corpo, e perceberam que pessoas com pesadelos frequentes apresentavam idade biológica mais avançada que a cronológica, sinal de envelhecimento acelerado.
Os pesadelos ocorrem durante o sono REM, estágio em que o cérebro está altamente ativo. Durante esses sonhos angustiantes, o corpo libera adrenalina e cortisol, hormônios do estresse, como se estivesse enfrentando uma ameaça real. Esse estresse constante pode permanecer ativado durante o dia, causando inflamação, aumento da pressão arterial e danos aos cromossomos, o que contribui para doenças e morte precoce.
Estudos anteriores já relacionavam pesadelos frequentes a doenças neurológicas, como demência e Parkinson, antes mesmo do surgimento dos sintomas. Agora, as novas evidências indicam que os pesadelos podem ser um importante sinal de alerta para a saúde física e neurológica.
Embora o estudo tenha limitações, como a autodeclaração dos participantes e o perfil demográfico analisado, os dados são robustos, baseados em registros oficiais de óbitos. Como cerca de 5% dos adultos afirmam ter pelo menos um pesadelo semanal, os pesquisadores sugerem que o tema seja mais investigado na medicina preventiva.
Fonte: maisgoias