Um estudo publicado na revista científica Molecular Psychiatry identificou que níveis elevados de glicose no sangue podem estar fortemente associados ao envelhecimento acelerado do cérebro e ao aumento do risco de doenças neurológicas.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Jilin e da Universidade Médica da China, com base em dados de quase 22 mil participantes do banco britânico UK Biobank. Durante o estudo, os pesquisadores desenvolveram um modelo para estimar a idade cerebral e analisaram 168 metabólitos presentes no sangue.
Entre todos os fatores avaliados, a glicose plasmática apresentou a associação mais forte com o envelhecimento cerebral acelerado, superando marcadores inflamatórios, lipoproteínas e lactato.
Segundo os pesquisadores, níveis elevados de glicose foram relacionados à redução do volume em 80 regiões do cérebro e ao maior risco de desenvolvimento de doenças como Alzheimer, demência, Parkinson, AVC, depressão e ansiedade.
Para reforçar os resultados, os cientistas utilizaram uma técnica chamada randomização mendeliana, método que auxilia na identificação de possíveis relações causais e reduz a influência de fatores que poderiam distorcer os dados.
Apesar dos achados, os autores destacam que o estudo não avaliou tratamentos específicos, não definiu níveis de glicose considerados de risco para pessoas sem diabetes e foi baseado principalmente em adultos de meia-idade e idosos do Reino Unido.
Por isso, os pesquisadores ressaltam que novas investigações ainda são necessárias antes que as conclusões sejam aplicadas de forma ampla a toda a população.