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Enquanto no Paraguai o preço da gasolina caiu 11 vezes seguidas, no Brasil segue 10% acima da média global

Jornal Panorama
17 de novembro de 2025

Desde que o direitista Santiago Peña assumiu a presidência do Paraguai, o país já anunciou 11 reduções consecutivas no preço dos combustíveis, todas fundamentadas em critérios técnicos. As decisões, lideradas pela estatal Petróleos Paraguayos (Petropar), ocorreram sempre que a estrutura de custos permitia ajustes, sob ganhos de eficiência e lucros operacionais positivos.

Em comunicados oficiais, a Petropar sustenta que as reduções foram possíveis graças à margem gerada pelas importações e à boa gestão financeira. Somente em 2025, o balanço preliminar da companhia indicou um superávit de US$ 25 milhões, o que deu espaço para a redução de 250 guaranis por litro em setembro, sendo a 11ª medida do tipo desde agosto de 2023. A estatal também externou que cada reajuste é definido de forma técnica, com base em análise de mercado e estrutura de custos, sem interferência de fatores externos.

Os ajustes periódicos consolidaram o Paraguai entre os países com gasolina mais barata da América do Sul, segundo levantamento da Global Petrol Prices. O modelo adotado em Assunção reforça o papel da Petropar como instrumento de regulação de mercado, capaz de ajustar preços conforme variações cambiais, custos logísticos e margens de importação.

No Brasil, a situação é inversa. O preço médio da gasolina permanece acima da média global, girando em torno de R$ 6,17 por litro, o equivalente a US$ 1,16, conforme dados de novembro de 2025. A estrutura de precificação brasileira é composta por uma cadeia complexa: impostos estaduais (ICMS), mistura obrigatória de etanol anidro, margens de distribuição e revenda, além de custos logísticos elevados e volatilidade cambial.

Mesmo quando a Petrobras anuncia reduções no valor repassado as distribuidoras, como ocorreu em junho, com um corte de 5,6%, resulta no preço final é limitado. A soma de tributos e encargos dilui o impacto das medidas técnicas e faz com que o combustível chegue ao consumidor final com pouca diferença.

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