Encanadores, soldadores e eletricistas conquistam espaço nas redes sociais enquanto empresas enfrentam escassez de mão de obra qualificada
Encanadores, soldadores, eletricistas e outros profissionais de ofícios técnicos estão transformando a própria rotina de trabalho em conteúdo para as redes sociais. Com vídeos que mostram serviços, ferramentas, desafios da profissão e possibilidades de ganhos, esses trabalhadores conquistam milhares de seguidores e ajudam a mudar a imagem das chamadas profissões de “colarinho azul”.
A tendência ganha força em um momento de escassez de mão de obra qualificada no Brasil e em outros países. Levantamento do ManpowerGroup aponta que 80% dos empregadores brasileiros enfrentam dificuldades para encontrar profissionais e preencher vagas em 2026. Em 2018, o índice era de 34%, o menor da série recente.
A falta de trabalhadores capacitados tem aumentado a disputa das empresas por profissionais experientes. Na construção civil, por exemplo, o salário médio de admissão chegou a R$ 2.551,69 em março de 2026, o maior entre os principais grupos de atividades econômicas analisados pelo Novo Caged. No mesmo período, a média nacional ficou em R$ 2.350,83.
Nas redes sociais, os profissionais apresentam uma realidade que muitas vezes permanece distante dos jovens. Os vídeos mostram desde instalações elétricas e reparos hidráulicos até trabalhos de soldagem, manutenção industrial e construção, além de abordar remuneração, formação e possibilidades de abrir o próprio negócio.
A exposição digital também tem colaborado para aumentar o interesse pela educação profissional. No Brasil, a educação profissional e tecnológica alcançou cerca de 3,1 milhões de matrículas em 2025, o maior número já registrado no país.
Nos Estados Unidos, escolas técnicas e empresas passaram a utilizar criadores de conteúdo para divulgar carreiras em áreas como construção, hidráulica, climatização e indústria. Levantamentos citados por veículos norte-americanos indicam que as matrículas em escolas profissionalizantes cresceram quase 20% desde 2020, enquanto parte dos estudantes afirma ter conhecido essas carreiras por meio das redes sociais.
Especialistas também alertam que o sucesso apresentado nas redes sociais não elimina os desafios das profissões. A formação técnica de qualidade pode exigir anos de estudo e prática, além de atualização constante diante do avanço das tecnologias e das normas de segurança.
Mesmo assim, os novos influenciadores estão ajudando a reposicionar esses ofícios no mercado. Antes vistas por muitos como alternativas inferiores ao ensino superior, as carreiras técnicas passam a ser apresentadas como caminhos de especialização, estabilidade financeira, autonomia e empreendedorismo.
Com empresas buscando profissionais e escolas registrando aumento nas matrículas, os vídeos publicados por trabalhadores mostram que o futuro das redes sociais também pode ser construído com capacete, ferramentas e experiência prática.