A Bolívia viveu neste domingo (17) um dos momentos mais marcantes de sua história política recente. Pela primeira vez em duas décadas, a esquerda boliviana, liderada pelo Movimento ao Socialismo (MAS), não conseguiu levar um candidato ao segundo turno das eleições presidenciais. Em contrapartida, dois nomes ligados à direita conquistaram as primeiras colocações e disputarão a presidência no segundo turno, marcado para as próximas semanas.
Com mais de 90% das urnas apuradas, os dois candidatos mais votados foram Luis Fernando Camacho, ex-governador de Santa Cruz e figura central na oposição ao ex-presidente Evo Morales, e Carlos Mesa, ex-presidente e líder da coligação de centro-direita Comunidade Cidadã. Ambos superaram o candidato do MAS, Andrónico Rodríguez, considerado herdeiro político de Evo.
A derrota da esquerda foi amplamente interpretada como um reflexo do desgaste político acumulado ao longo dos últimos anos, marcado por denúncias de corrupção, instabilidade econômica e insatisfação popular com a gestão do partido que esteve no poder por mais de duas décadas. Desde a renúncia de Evo Morales em 2019, o MAS vinha tentando se reestruturar, mas sem sucesso nas urnas desta vez.
Especialistas apontam que o resultado representa uma guinada no cenário político boliviano e indica uma forte rejeição ao modelo de governo que dominou o país por tanto tempo. “É um marco histórico. A Bolívia está dizendo que quer mudança”, afirmou a analista política Jimena Callejas.
Ainda não está claro qual dos dois candidatos de direita deve conquistar o apoio do eleitorado que rejeitou a esquerda. A campanha para o segundo turno deve ser acirrada, com foco em temas como economia, segurança, combate à corrupção e relações internacionais.
O Tribunal Supremo Eleitoral deve anunciar oficialmente a data do segundo turno nos próximos dias.