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Compras internacionais batem recorde e movimentam R$ 2,6 bilhões em junho

Jornal Panorama 2
21 de julho de 2026

Resultado foi registrado após o governo zerar o imposto federal sobre encomendas de até US$ 50; medida beneficia consumidores, mas provoca críticas do varejo brasileiro

As compras internacionais processadas pelo Programa Remessa Conforme atingiram R$ 2,6 bilhões em junho de 2026, o maior valor mensal desde a criação do sistema, em 2023. O resultado representa um crescimento de quase 37% em relação a maio, quando as encomendas movimentaram cerca de R$ 1,9 bilhão.

Ao todo, aproximadamente 27,4 milhões de pacotes foram enviados ao Brasil durante o mês, média de 910 mil encomendas por dia. O número de remessas cresceu cerca de 40% na comparação mensal e mais que dobrou em relação ao mesmo período do ano anterior.

A alta ocorreu após a mudança nas regras de tributação das compras internacionais. Desde 12 de maio de 2026, encomendas de até US$ 50 feitas por pessoas físicas em plataformas certificadas pelo Remessa Conforme passaram a ter alíquota zero de Imposto de Importação. Antes, essas compras estavam sujeitas à cobrança federal de 20%.

A isenção, no entanto, não significa que os produtos estejam totalmente livres de impostos. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS, continua sendo cobrado pelos estados, com alíquotas que variam de 17% a 20%. Nas compras acima de US$ 50, a tributação federal permanece em 60%, com desconto equivalente a US$ 30 no cálculo do imposto.

Os números mostram uma reação rápida dos consumidores. Em maio, o valor das remessas internacionais já havia avançado quase 30%. Em junho, o crescimento acelerou para aproximadamente 37%, levando as compras ao maior patamar mensal já registrado pela Receita Federal.

O Programa Remessa Conforme também determina que os impostos sejam calculados e pagos no momento da compra. Com as informações enviadas antecipadamente às autoridades, a fiscalização pode começar antes da chegada dos produtos ao Brasil, tornando a liberação aduaneira e a entrega mais rápidas.

Apesar da aprovação entre consumidores, a medida reacendeu o debate entre plataformas estrangeiras e o varejo nacional. Entidades empresariais afirmam que a retirada do imposto federal amplia a diferença de custos entre empresas brasileiras e concorrentes internacionais, que não enfrentariam as mesmas obrigações tributárias, trabalhistas e ambientais.

Representantes de plataformas digitais, por outro lado, consideram o aumento das importações uma consequência esperada da redução tributária. O setor argumenta que as compras internacionais ampliam o acesso da população a produtos mais baratos e também movimentam atividades ligadas à logística e à distribuição.

Embora o recorde tenha ocorrido após a isenção das compras de menor valor, os R$ 2,6 bilhões incluem todas as encomendas processadas pelo Remessa Conforme. Segundo a Receita Federal, cerca de 32% dos R$ 13 bilhões movimentados pelo programa em 2026 vieram de compras superiores a US$ 50, que continuam sujeitas ao imposto federal.

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