Uma pesquisa experimental conduzida por um cientista norte-americano tem chamado atenção ao propor uma alternativa inusitada para estimular o sistema imunológico: uma “cerveja-vacina” produzida com leveduras modificadas. A ideia, porém, ainda está em fase inicial e não possui aprovação para uso médico.
O responsável pela iniciativa é Chris Buck, virologista do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos. Ele estuda os poliomavírus, grupo de vírus associado a complicações em pessoas com baixa imunidade e a possíveis relações com alguns tipos de câncer.
Segundo reportagens científicas, Buck desenvolveu o projeto de forma independente, por meio da Gusteau Research Corporation, uma organização sem fins lucrativos criada por ele. A proposta utiliza leveduras vivas, comuns na produção de bebidas fermentadas e alimentos, como veículo para carregar componentes capazes de provocar uma resposta imunológica.
Os primeiros relatos apontam que o cientista testou a preparação em si mesmo e que exames de sangue indicaram produção de anticorpos contra subtipos do BK poliomavírus. No entanto, os resultados ainda não passaram por revisão científica independente e foram observados em um número extremamente reduzido de pessoas.
Especialistas destacam que a proposta precisa passar por estudos rigorosos de segurança e eficácia antes de qualquer possibilidade de aplicação. O virologista Michael Imperiale, da Universidade de Michigan, afirmou à Science News que não é possível tirar conclusões com base em testes realizados em apenas duas pessoas.
Apesar das dúvidas, o conceito de vacinas orais não é novo. Já existem imunizantes administrados por via oral, como vacinas contra algumas doenças infecciosas. A diferença é que, neste caso, a proposta envolve uma abordagem experimental com leveduras modificadas, ainda distante de qualquer uso aprovado.
Por enquanto, a chamada “cerveja-vacina” deve ser entendida apenas como uma pesquisa preliminar e controversa. Não há recomendação médica, produto autorizado ou substituição das vacinas tradicionais por esse tipo de tecnologia.