Investigações apontam que milícias e facções criminosas passaram a controlar a venda de produtos em comunidades do Rio de Janeiro por meio de um esquema de cobrança conhecido como “taxa de guerra”. O valor seria embutido no preço de mercadorias e usado para financiar armas, equipamentos, expansão territorial e manutenção do poder dos grupos criminosos.
Na prática, o sistema funciona como uma espécie de tributação paralela. Comerciantes são obrigados a comprar produtos de fornecedores escolhidos pelos criminosos, muitas vezes por preços acima dos praticados no mercado. Sem concorrência, os custos aumentam e acabam sendo repassados aos consumidores.
Entre os produtos afetados estão itens básicos do dia a dia, como farinha de trigo, frango assado, água, gás, hortifrúti e materiais de construção. Segundo as investigações, o dinheiro arrecadado ajuda a sustentar a estrutura das organizações criminosas e a defender territórios contra grupos rivais ou operações policiais.
Moradores relatam que a cobrança encarece a vida nas comunidades e prejudica principalmente famílias em situação de vulnerabilidade. Especialistas também apontam que o domínio sobre fornecedores cria uma lógica de monopólio, em que os criminosos determinam quem pode vender, quais produtos devem ser comprados e por qual valor.
Quem descumpre as regras pode sofrer ameaças e retaliações. Em alguns casos, fornecedores concorrentes são expulsos das áreas dominadas, ampliando ainda mais o controle dos grupos sobre a economia local.