O Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – Núcleo Sul (Gaeco Sul), apresentou duas denúncias contra o delegado da Polícia Civil de Rio Verde, Dannilo Ribeiro Proto, e sua esposa, Karen de Souza Santos Proto, ex-coordenadora Regional de Educação do município. Eles são acusados de integrar um esquema de desvio de recursos públicos destinados à educação, que teria causado prejuízo superior a R$ 2,2 milhões aos cofres do Estado.
A Operação Regra de Três foi deflagrada em 21 de agosto de 2025, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa que atuava em Rio Verde. De acordo com o MPGO, o grupo utilizava cargos estratégicos no poder público para fraudar contratos e desviar recursos de programas da Secretaria Estadual de Educação de Goiás (Seduc-GO), como o Programa Reformar e a impressão de material pedagógico do Revisa Goiás.
As investigações apontam que, desde 2020, foram celebrados ao menos 40 contratos sem licitação, beneficiando empresas de fachada. O esquema envolvia ainda fraudes em contratações públicas e operações de lavagem de dinheiro.
Dannilo Ribeiro Proto e Karen de Souza Santos Proto foram denunciados pelos crimes de:
Organização criminosa
Falsidade ideológica
Violação de sigilo funcional
Ameaça
Prevaricação
Contratação direta ilegal
Peculato
Falsificação e uso de documento particular
Lavagem de capitais
Além do casal, outras sete pessoas também foram denunciadas por participação no esquema.
O juiz da 2ª Vara das Garantias de Goiânia decretou a prisão preventiva do delegado, que segue custodiado em cela especial devido a problemas de saúde. Contra Karen de Souza Santos Proto, foram determinadas medidas cautelares, incluindo o bloqueio de bens e contas bancárias.
O MPGO informou ainda que as investigações relacionadas ao concurso público da Câmara Municipal de Rio Verde darão origem a uma ação penal própria, a ser protocolada nos próximos dias.
A Polícia Civil de Goiás, por meio da Corregedoria, acompanha o caso para apurar possível envolvimento de outros servidores da corporação.
A Secretaria de Estado da Educação de Goiás afirmou que não tinha conhecimento prévio das irregularidades e destacou que os investigados não fazem parte da atual gestão. A pasta informou que instaurará procedimento interno de apuração assim que tiver acesso oficial aos documentos do processo.