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Superbactérias em alimentos acendem alerta para saúde pública no Brasil

Jornal Panorama 2
5 de junho de 2026

Pesquisadores da USP e do Instituto de Pesca de São Paulo identificaram, pela primeira vez em alimentos no Brasil, a bactéria Citrobacter telavivensis, associada à resistência a antibióticos. A descoberta foi feita em amostras de ostras frescas compradas em mercados de São Paulo e Santa Catarina.

O estudo chama atenção para um problema que vai além dos hospitais. A resistência antimicrobiana, considerada pela Organização Mundial da Saúde uma das principais ameaças à saúde global, também tem avançado pela cadeia alimentar.

As ostras funcionam como uma espécie de espelho do ambiente marinho. Por serem animais filtradores, elas acumulam substâncias e microrganismos presentes na água onde vivem, como bactérias, resíduos de medicamentos e metais pesados.

Além da Citrobacter telavivensis, os pesquisadores também identificaram bactérias como Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli resistentes a antibióticos de última geração. Parte das amostras também apresentou concentração de arsênio acima do limite permitido pela Anvisa.

Segundo os pesquisadores, a combinação entre poluição, resíduos de antibióticos e metais pesados pode favorecer a seleção de bactérias mais resistentes. Na prática, o ambiente contaminado cria condições para que microrganismos sobrevivam e se tornem cada vez mais difíceis de combater.

O alerta principal está no fato de que os protocolos tradicionais de inspeção sanitária avaliam higiene, temperatura, presença de microrganismos e patógenos específicos, mas ainda não analisam de forma ampla o perfil de resistência antimicrobiana das bactérias encontradas nos alimentos.

Especialistas defendem que a vigilância sanitária seja atualizada para incluir o pescado, especialmente peixes e moluscos, no monitoramento da resistência antimicrobiana. Também apontam a necessidade de maior rastreabilidade da origem dos alimentos e de mais investimentos em pesquisas capazes de combater biofilmes, estruturas que protegem bactérias e dificultam sua eliminação em ambientes industriais.

A presença de superbactérias na cadeia alimentar representa um risco para a saúde pública e também pode impactar a competitividade do pescado brasileiro no mercado internacional, já que países como os da União Europeia e os Estados Unidos mantêm padrões rigorosos de controle sanitário.

O caso reforça que a resistência antimicrobiana não é apenas um problema hospitalar. Ela também está ligada ao meio ambiente, ao saneamento, ao uso de antibióticos na produção animal e à forma como os alimentos são monitorados antes de chegar ao consumidor.

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