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Goiana indicada ao Prêmio Nobel da Paz é símbolo de resistência Kalunga

Jornal Panorama
4 de agosto de 2025

A história de Dona Procópia dos Santos Rosa, nascida em 10 de fevereiro de 1933 na comunidade Kalunga Riachão, na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, é um exemplo de força, sabedoria popular e luta pela dignidade de seu povo. Filha de descendentes de escravos, cresceu às margens do Rio Paranã, em um território isolado. Mesmo sem saber ler ou escrever, tornou-se parteira e liderança espiritual, utilizando saberes tradicionais, como chás, rezas e rituais da cultura quilombola para cuidar da saúde física e emocional dos moradores da comunidade.

O reconhecimento internacional veio em 2005, quando Dona Procópia foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz através do projeto “1000 Mulheres pelo Nobel da Paz”, que selecionou mulheres de todo o mundo com atuação em causas sociais, comunitárias e de direitos humanos. Ela foi uma das 52 brasileiras escolhidas e a única representante de Goiás. Sua indicação foi motivada, entre outras razões, pela liderança na mobilização contra a construção de uma barragem que ameaçava alagar parte do território Kalunga.

Mesmo com mais de sete décadas de vida à época, Dona Procópia permaneceu ativa em sua missão. Foi responsável por levar energia elétrica, abastecimento de água e escola à comunidade de Riachão, onde viviam dezenas de famílias em situação de vulnerabilidade. Sua luta fez com que o governo reconhecesse oficialmente direitos básicos que até então eram negados ao povo Kalunga.

Sua neta, Lourdes “Bia” Kalunga, atualmente administra o Museu Vivo Dona Procópia, um espaço dedicado à memória e aos saberes tradicionais da comunidade. Em diversas entrevistas, Bia conta com orgulho que a avó não apenas curava os corpos, mas também fortalecia o espírito das pessoas. Dona Procópia sempre atuou como conselheira, rezadeira e guardiã da memória oral de seu povo, sendo uma ponte viva entre o passado e o presente da cultura Kalunga.

Em depoimento registrado em vídeo, Dona Procópia deixou uma de suas mensagens mais marcantes: “Para terem coragem, lutar, saúde para terem tudo o que elas desejarem, mas confiarem em Deus acima de tudo.” Hoje, aos 90 anos, ela é reconhecida não apenas como uma parteira, mas como uma liderança histórica que representa a força das mulheres negras, das comunidades tradicionais e da resistência do povo Kalunga no coração do Brasil.

Seu legado ultrapassa fronteiras e inspira novas gerações a proteger suas raízes, valorizar os saberes populares e lutar pela justiça social com dignidade e fé.

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