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UFG cai 34 posições em ranking mundial de universidades

Jornal Panorama
3 de junho de 2025

Goiânia – A Universidade Federal de Goiás (UFG) caiu 34 posições no mais recente levantamento do QS World University Rankings 2025, um dos mais respeitados rankings acadêmicos do mundo. A instituição, que ocupava o 801º lugar na edição anterior, agora aparece entre as posições 1.001–1.200, marcando sua pior colocação desde que começou a ser avaliada pela consultoria britânica Quacquarelli Symonds (QS).

Especialistas apontam que a queda está diretamente ligada à redução dos investimentos federais em educação superior e ciência nos últimos anos, além do impacto no desempenho em pesquisa, produção científica e parcerias internacionais.

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Corte de verbas e impactos diretos

Desde 2020, a UFG tem enfrentado sucessivos cortes no orçamento, afetando desde o custeio básico de energia e segurança até a manutenção de laboratórios e bolsas de pesquisa. Em 2024, a universidade operou com um orçamento 18% menor do que o previsto na Lei Orçamentária, segundo dados da própria reitoria.

“É impossível manter excelência acadêmica com laboratórios sucateados, sem bolsas para alunos e com dificuldades até para pagar água e luz”, afirma o reitor da UFG, Edward Madureira Brasil. “A queda no ranking reflete a realidade do desmonte que o ensino superior público enfrenta.”

Além dos cortes orçamentários, a universidade também teve redução em parcerias internacionais, programas de intercâmbio e financiamento de pesquisas, o que impactou diretamente sua avaliação nos critérios do QS Ranking.

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Critérios do ranking e o desempenho da UFG

O QS World University Rankings avalia mais de 1.500 instituições de ensino superior em todo o mundo com base em critérios como:
• Reputação acadêmica
• Reputação entre empregadores
• Razão professor/aluno
• Citações por docente (produção científica)
• Presença internacional (alunos e professores estrangeiros)

Nos dois últimos critérios — citações por docente e presença internacional — a UFG registrou desempenho significativamente inferior ao de anos anteriores, o que contribuiu diretamente para a queda na classificação.

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Reflexo nacional: outras federais também caíram

A UFG não foi a única afetada. Outras universidades federais brasileiras também registraram quedas no mesmo ranking, como a UFMG, UFPR, UFBA e UFRGS. A exceção ficou por conta da Universidade de São Paulo (USP), que manteve sua posição entre as 100 melhores do mundo, graças à autonomia financeira e à forte internacionalização.

O professor e pesquisador da área de políticas públicas em educação, Dr. Renato Ferreira, explica que o encolhimento do ensino superior no Brasil não é pontual: “Estamos observando o que chamo de ‘crise silenciosa’ nas universidades federais. É uma erosão constante da capacidade de pesquisa, formação e inovação das instituições públicas.”

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Reações e medidas emergenciais

A reitoria da UFG informou que, mesmo diante das dificuldades, continuará buscando parcerias privadas e internacionais, além de fortalecer a pós-graduação e programas de extensão com impacto social.

Em nota, o Ministério da Educação (MEC) afirmou que trabalha para recompor parte do orçamento das federais em 2025, mas não garantiu novos aportes para pesquisas ou internacionalização. Parlamentares da bancada goiana também se mobilizam para incluir emendas que beneficiem diretamente a UFG no próximo orçamento da União.

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Consequências a médio e longo prazo

Segundo especialistas, a desvalorização das universidades públicas pode gerar consequências sérias no desenvolvimento do país. A queda no ranking internacional compromete a atratividade da UFG para intercâmbios, convênios internacionais, publicações e até captação de talentos.

A professora Luciana Rocha, coordenadora de pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais da UFG, alerta: “Estamos perdendo protagonismo não só acadêmico, mas também científico e social. Uma universidade menos reconhecida internacionalmente tem menos acesso a redes de pesquisa e menos visibilidade para seus estudantes e projetos.”

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Apesar da crise, excelência resiste

Mesmo diante do cenário preocupante, a UFG ainda se destaca em áreas como Medicina Tropical, Química, Ciências Agrárias e Arte-Educação, com grupos de pesquisa reconhecidos nacional e internacionalmente.

“A universidade resiste. Seguimos formando profissionais de excelência, desenvolvendo ciência e promovendo inclusão social. Mas precisamos de investimento contínuo para isso”, conclui o reitor Edward Madureira.

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