O Brasil vai abrigar a primeira fábrica do mundo dedicada ao processamento em larga escala de pele de tilápia para uso médico.
A unidade será construída em Jaguaribara, no interior do Ceará, com investimento inicial de R$ 52 milhões. O projeto é conduzido pelo Consórcio Biotec, por meio da Inova Medical, a partir de tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC).
A inovação transforma a pele da tilápia, que normalmente seria descartada, em um curativo biológico usado no tratamento de queimaduras e feridas de difícil cicatrização. O material adere à área lesionada e pode ser aplicado principalmente em queimaduras de segundo e terceiro graus.
Segundo dados apresentados pela empresa responsável, o uso da pele de tilápia pode reduzir em até 52% os custos totais do tratamento de queimaduras na comparação com o método convencional.
Hoje, o laboratório da UFC processa cerca de 600 peles de tilápia por mês. Com a nova fábrica, a previsão é chegar a 4,3 mil peles por dia no primeiro ano de operação comercial. Em uma segunda etapa, a capacidade poderá alcançar 12 mil peles por dia.
A tecnologia usa a liofilização, processo que retira a água do material e permite a conservação sem refrigeração. De acordo com os responsáveis, o curativo poderá ter validade de até três anos em temperatura ambiente.
As obras devem começar em outubro de 2026. Se o cronograma for cumprido, a operação poderá iniciar em janeiro de 2028, após o cumprimento das exigências regulatórias e sanitárias da Anvisa.