Notícias Nacionais

Alta da gripe preocupa especialistas e amplia debate sobre uso do Tamiflu

Jornal Panorama 2
28 de maio de 2026

Infectologistas defendem início do tratamento nas primeiras 48 horas para reduzir complicações, internações e mortes em grupos de risco

A temporada da gripe chegou mais cedo e com mais força ao Brasil em 2026. De acordo com o Ministério da Saúde, entre janeiro e abril deste ano, o país registrou 6.760 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à Influenza. No mesmo período de 2025, foram 3.374 casos, o que representa um aumento de 100,4%.

Segundo a pasta, a alta está relacionada à antecipação da circulação do vírus neste ano. Diante do avanço dos casos, infectologistas reforçam a importância da vacinação e do início precoce do tratamento em pacientes com maior risco de agravamento.

O antiviral oseltamivir, conhecido comercialmente como Tamiflu, é indicado para pacientes com diagnóstico de influenza, especialmente quando iniciado nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas. Segundo especialistas, o medicamento pode reduzir o tempo da doença, diminuir complicações e ajudar a evitar hospitalizações e mortes, principalmente em idosos, gestantes, crianças pequenas, imunossuprimidos e pessoas com doenças crônicas.

O Ministério da Saúde informa que o uso do Tamiflu é recomendado para pessoas com risco de agravamento e para casos de SRAG, mesmo sem confirmação laboratorial. Isso ocorre porque o acesso a testes para identificação do vírus ainda é limitado em muitos serviços de emergência, principalmente por questões de custo e cobertura.

A vacinação, no entanto, continua sendo apontada como a principal forma de prevenção contra casos graves, internações e mortes. Até o momento, mais de 26,4 milhões de doses da vacina contra a gripe foram aplicadas no país, sendo 16,9 milhões no público prioritário, formado por crianças, gestantes e idosos.

Apesar da importância da testagem, o Ministério da Saúde distribuiu aos estados mais de 615 mil testes RT-PCR para vírus respiratórios neste ano, número 33,3% menor que o registrado no ano passado.

De acordo com infectologistas, o benefício do antiviral é maior quando o tratamento começa cedo. Após o desenvolvimento de complicações, como pneumonia, o efeito tende a ser menor. Em pacientes graves internados em UTI, o tempo de tratamento pode ser ampliado, conforme avaliação médica.

Na rede privada, o preço do Tamiflu com 10 cápsulas de 75 mg costuma variar entre R$ 290 e R$ 300. Já os genéricos de fosfato de oseltamivir podem ser encontrados por valores mais baixos, geralmente entre R$ 170 e R$ 210.

Segundo o Ministério da Saúde, o medicamento pode reduzir em até 38% o risco de morte. Estudos também apontam benefícios como redução de cerca de um dia na duração dos sintomas, queda nas complicações e diminuição das hospitalizações em determinados grupos.

Até o momento, o Brasil registra 505 mortes por SRAG associadas ao vírus da Influenza em 2026. No mesmo período, as mortes por SRAG associadas à Covid-19 somam 270.

Especialistas reforçam que o uso de antivirais deve ser feito com orientação médica e que a população deve procurar atendimento diante de sintomas intensos, piora do quadro respiratório ou presença de fatores de risco.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Total de visitas: 110435