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O que acontece com o corpo após 24 horas sem dormir, de acordo com a ciência

Jornal Panorama
29 de outubro de 2025

Passar uma noite sem dormir pode parecer uma solução temporária para cumprir tarefas do trabalho ou da vida pessoal, mas os efeitos sobre o corpo e a mente podem ser comparados aos de um consumo elevado de álcool.

Segundo especialistas citados pelo portal Healthline, 24 horas de privação de sono equivalem a uma concentração de álcool no sangue de 0,10%, acima do limite permitido para dirigir na maioria dos estados dos Estados Unidos. Entre os sintomas estão sonolência, alterações na percepção, redução da coordenação e do julgamento, que se agravam rapidamente caso a falta de descanso persista.

O impacto vai além da simples fadiga. Uma revisão publicada na revista Cureus aponta que a privação de sono dificulta a consolidação da memória e afeta diretamente o controle de impulsos, a tomada de decisões e a regulação emocional. O lóbulo pré-frontal, responsável por funções executivas e comportamento racional, é especialmente sensível à falta de descanso, aumentando a impulsividade e comportamentos de risco.
Além disso, cresce a tensão muscular e o risco de acidentes. Embora os sintomas desapareçam após o descanso, a exposição repetida à privação de sono pode trazer consequências mais graves.

Efeitos da privação prolongada: 36, 48 e 72 horas
Após 36 horas sem dormir, os efeitos se intensificam. O ciclo sono-vigília, responsável por regular hormônios como cortisol, insulina e hormônio do crescimento, fica alterado, causando desequilíbrios hormonais, fadiga extrema, perda de motivação e dificuldade na tomada de decisões. Problemas na fala, como dificuldade para escolher palavras ou modular a entonação, também podem surgir.
Após 48 horas, aparecem os chamados “microssonos” de até 30 segundos, episódios involuntários em que o cérebro se desconecta, provocando confusão ou desorientação ao retornar à vigília. O sistema imunológico é afetado, com aumento de marcadores inflamatórios e queda na atividade das células NK, fundamentais na defesa contra infecções. Além disso, surge alteração de humor, depressão e maior tensão.

A partir de 72 horas sem dormir, a maioria das pessoas não consegue permanecer acordada sem estímulos externos. Funções cognitivas como memória, atenção e capacidade de multitarefa ficam seriamente comprometidas. Podem ocorrer distúrbios na fala, dificuldade para formular ideias, alucinações visuais e auditivas e episódios de paranoia, demonstrando um profundo comprometimento da percepção e da cognição.
O recorde mundial de tempo sem dormir é de 453 horas e 40 minutos, expondo os riscos extremos da privação prolongada. Desde 1997, o Guinness World Records suspendeu essa categoria devido aos perigos para a saúde. Organizações como a Cleveland Clinic e a Associação do Sono dos Estados Unidos alertam que a privação extrema pode causar danos cerebrais, distúrbios psiquiátricos e alterações metabólicas graves.

Privação crônica de sono: o risco silencioso
A privação crônica, muito mais comum, consiste em dormir menos do que o necessário de forma regular. Segundo o Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos EUA (NHLBI), a falta parcial e contínua de sono afeta hormônios que regulam o apetite, o metabolismo e a pressão arterial, aumentando o risco de doenças metabólicas, cardiovasculares e imunológicas. Também compromete aprendizado, memória e controle emocional.
Um estudo do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) estima que um terço dos adultos norte-americanos não atinge o sono recomendado. A privação crônica está associada a ansiedade, sonolência, esquecimentos, baixo desempenho e complicações de longo prazo.

A American Heart Association, em análise publicada na revista Current Atherosclerosis Reports, destaca que a má qualidade do sono aumenta a preferência por dietas ricas em calorias e pobres em nutrientes. A falta de descanso altera os mecanismos de recompensa cerebral e hormônios reguladores da fome, como leptina e grelina, aumentando a ingestão de alimentos gordurosos e açucarados, criando um ciclo de fadiga, ganho de peso e risco de doenças crônicas.
Dicas para minimizar os efeitos da falta de sono
Especialistas recomendam atenção à alimentação e hidratação para reduzir os efeitos da privação de sono. Alimentos ricos em proteínas magras, como frutos secos, manteigas de oleaginosas, queijo cottage ou tofu, ajudam a manter energia. Proteínas de alto teor de gordura, como carne bovina e queijos gordurosos, podem aumentar a sonolência. A hidratação é essencial para reduzir a fadiga e melhorar a concentração.

Uma noite sem dormir ocasionalmente não causa danos permanentes. No entanto, se a falta de sono se tornar rotina, é recomendado procurar orientação profissional para manter a saúde e restaurar padrões de descanso.
Dormir entre sete e nove horas por noite é fundamental para o equilíbrio físico e emocional. Rotinas regulares de sono, reduzir cafeína e limitar exposição a telas antes de dormir são medidas eficazes para prevenir insônia e seus efeitos a longo prazo.

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