Pesquisadores da Universidade do Sul da Austrália descobriram que o uso concomitante de analgésicos como paracetamol e ibuprofeno com antibióticos pode potencializar a resistência bacteriana, dificultando o tratamento de infecções. O estudo, publicado na revista NPJ Antimicrobials and Resistance, revela que essa combinação pode aumentar a resistência bacteriana até 64 vezes em alguns casos.
A resistência antimicrobiana (RAM) ocorre quando bactérias evoluem para resistir aos medicamentos desenvolvidos para eliminá-las, tornando infecções mais difíceis de tratar e aumentando o risco de disseminação de doenças. A pesquisa destaca a importância de considerar os efeitos do uso simultâneo de medicamentos comuns, como analgésicos, no desenvolvimento da resistência bacteriana.
Especialistas alertam que essa descoberta desafia a ideia de que analgésicos são seguros para uso concomitante com antibióticos e enfatizam a necessidade de cautela na prescrição de medicamentos, especialmente em pacientes que utilizam múltiplos fármacos. A polifarmácia, comum em idosos e pacientes hospitalizados, aumenta o risco de interações medicamentosas e contribui para o desenvolvimento de cepas bacterianas resistentes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a resistência antimicrobiana como uma das maiores ameaças à saúde pública global, estimando que até 2050, a RAM poderá ser responsável por até 10 milhões de mortes por ano. Portanto, é essencial adotar práticas de “stewardship” de antimicrobianos, que envolvem o uso racional e responsável desses medicamentos para preservar sua eficácia.
Essa pesquisa reforça a importância de uma abordagem cuidadosa no uso de medicamentos e destaca a necessidade de políticas públicas e práticas clínicas que promovam o uso responsável de antibióticos e analgésicos, visando combater a crescente ameaça da resistência bacteriana.