Um servidor público federal, identificado como Pablo Silva Santiago, de 39 anos, está sendo investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) por supostamente filmar amigas em momentos de intimidade sem consentimento e divulgar as imagens em sites da internet. O caso gerou indignação e reacendeu debates sobre crimes contra a dignidade sexual e o uso indevido da tecnologia para práticas criminosas.
Segundo a denúncia, Santiago mantinha relações de amizade com as vítimas e aproveitava ocasiões em que elas estavam em sua residência para instalar dispositivos de gravação sem que percebessem. As câmeras ocultas teriam sido posicionadas em ambientes privados, como o banheiro, e registraram as mulheres despidas. As imagens foram posteriormente compartilhadas em plataformas pornográficas sem qualquer autorização das vítimas. Algumas delas só descobriram o crime após as gravações viralizarem entre conhecidos e chegarem até os próprios familiares.
O caso está sendo apurado pela PCDF, que já colheu depoimentos e está analisando dispositivos eletrônicos apreendidos na casa do investigado. Santiago foi afastado de suas funções até a conclusão do inquérito.
A defesa do acusado não se manifestou até o momento.
O crime de divulgação de cena de nudez ou ato sexual sem consentimento é tipificado no artigo 218-C do Código Penal Brasileiro, com pena prevista de 1 a 5 anos de reclusão. Caso haja agravantes, como relações de confiança entre autor e vítima, a pena pode ser aumentada.
Especialistas ouvidos pela reportagem reforçam a importância da denúncia em casos semelhantes. “Muitas vítimas se sentem envergonhadas ou culpadas, mas é fundamental procurar ajuda, registrar ocorrência e buscar apoio jurídico e psicológico”, afirma a advogada criminalista Bruna Nunes.
A PCDF segue com as investigações e não descarta o surgimento de novas vítimas. O caso também será encaminhado ao Ministério Público para possível denúncia formal.